Os princípios que a ciência da leitura nega e refuta sobre a alfabetização

BENEDETTI, Kátia Simone. Alfabetização segundo a neurociência da leitura. In: A falácia socioconstrutivista: por que os alunos brasileiros deixaram de aprender a ler e escrever. Campinas-SP: kirion, 2020, p.127.

    

Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler
Fonte:  Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. 
        Há 5 princípios defendidos por muitos da pedagogia e da educação - no que consiste a alfabetização - que as neurociências da leitura e a psicologia da leitura atualmente (como consequência dos seus estudos e dados gerados) negam e refutam, que são princípios da literatura educacional construtivista (a psicogênese da língua escrita), Whole Language (Frank Smith) e das ciências sociais. Esses 5 princípios equivocados são:

1. A linguagem escrita equipara-se à linguagem verbal, funcionando como um todo significativo e o ensino deve, primeiro, inserir a criança nesse todo (na  situação comunicativa dotada de significado) e apenas depois proceder à análise das partes linguísticas (períodos, orações, palavras). A abordagem de ensino "do-todo-para-as-partes" ou "top-down", portanto, é contraria a natureza do aprendizado;

2. A prioridade do ensino da língua escrita deve ser o acesso ao significado, à mensagem e, portanto, a alfabetização deve lançar mão de palavras significativas para os alunos, como seu próprios nomes, ainda que eles apresentem ortografia incompatível com o processo inicial de alfabetização e aquisição do princípio alfabético;

3. Os leitores que utilizam estratégias globais de reconhecimento de palavras, lançando mão de pistas contextuais, estão lendo efetivamente e acessando diretamente o significado a partir da forma global da palavra;

4. Cabe ao ensino priorizar o desenvolvimento, nos alunos, das habilidades discursivas, semióticas e expressivas da linguagem, desde a alfabetização, pois estas seriam a base sobre a qual aconteceria o desenvolvimento (espontâneo) dos conhecimentos fonológicos e estruturais da língua sendo desnecessário atividades "mecanicistas", "fragmentadas" e pouco significativas no processo alfabetizador;

5. Cabe ao ensino, ainda, priorizar o desenvolvimento, nos alunos, de "comportamentos de leitor e escritor" a partir de "situações autênticas de uso da linguagem", ao invés de manter o foco no ensino-aprendizagem dos aspectos específicos intrínsecos à estrutura da língua (fonética, ortografia, morfologia, sintax
e);

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