Como o conhecimento pode trazer mais conhecimento?
As ciências cognitivas colocam a
importância do conhecimento quando verificam a relação entre a amplitude e a
latitude do conhecimento acumulado pelos alunos e a aprendizagem de um material
novo.
A aprendizagem de novos conteúdos é
facilitada pelo conhecimento de fundo existente. Isso se verifica quando divide
o processo de aprendizagem em três etapas/estágios diferentes que descrevem
como a aprendizagem acontece: quando recebe uma nova informação (ouvida ou
lida), ao pensar sobre essas informações e como o material é armazenado na
memória de longo prazo.
Primeiro
estágio: receber novas informações
A primeira vantagem que o conhecimento
factual traz é no momento de absorção de novas informações. A linguagem oral e
escrita podem ser um exemplo de como o conhecimento factual desempenha papel
fundamental para a compreensão da linguagem, indo além do conhecimento do
vocabulário e sintático. O conhecimento prévio permite a compreensão da
linguagem por que a mesma é cheia de rupturas/lacunas na qual o conhecimento é
assumido. assim, a compreensão da linguagem oral e escrita depende de
inferências corretas feitas nela, e tais inferências são advindas do
conhecimento prévio que podemos possuir.
Em um texto, o leito pode verificar a
ausência de alguns elementos e conhecimentos e fazer as devidas inferências
pelo fato de ter conhecimento prévio do conteúdo presente no texto; isso vale
não apenas para textos escritos, mas também para as conversas. Nos textos são
deixadas lacunas que são tampadas pelo leito no ato de compreensão do texto,
isso por que os escritores optam por não passar informações de mais para não
ficar uma leitura tediosa e maçante, além do mesmo assumir que as pessoas já
têm o conhecimento para compreender o seu escrito.
Assim, podemos constatar que o
conhecimento já existente (prévio) auxilia decisivamente na aquisição de novos
conhecimentos devido ao seu poder de fazer inferências corretas. A falta do
conhecimento de fundo no momento de compreensão do texto pode deixar o leitor
confuso. Desse modo, quanto mais conhecimentos possuímos melhores leitores
seremos.
Além disso, as inferências que são feitos
ao longo da leitura do texto são inconscientes/automáticas. ou seja, as ideias
existentes nos textos são relacionadas aos conhecimentos de base que possuímos
e regatados à consciência. Em outras palavras, o conhecimento geral permite
estabelecer associações mais ricas entre os conceitos presentes na memória; e
quando essas associações são fortes, elas tornam-se disponíveis para o processo
de leitura automaticamente. Isso quer dizer que uma pessoa que detém de um conhecimento
mais rico dificilmente interrompera a leitura do texto para fazer associações
conscientes.
Uma desvantagem pela ausência do
conhecimento prévio na leitura é, aos lermos textos desconhecidos, passamos
mais tempo lendo as frases em uma frequência menor com desgaste de
processamento cognitivo, diferentemente caso o texto seja conhecido. Assim,
podemos concluir que o conhecimento prévio desempenha um papel fundamental na
formação de um bom leitor: primeiro, o leitor pode ter mais chances de deter um
conhecimento necessário para fazer as inferências necessárias e entender o
texto; segundo, o conhecimento prévio possibilita que o leitor não precise
reler o texto, diminuindo o esforço mental para buscar relações conscientes no
texto.
Segundo
estágio: o conhecimento ajuda a pensar em novas informações
Compreender as informações contidas em um
texto é apenas a primeira etapa para aprender novas informações.
O segundo passo é pensar sobre a
informação. O ato de pensar acontece na memória operacional (memória de
trabalho), a base pra que o pensamento ocorra. O pensamento é limitado em
função do espaço oriundo dessa memória, ou seja, quanto mais próximo do limite
de armazenamento da memória de trabalho, menor será a capacidade do pensamento.
As informações que são recebidas quando estão em desordem, acabam por encher o
espaço da consciência dificultando a atividade pensante.
A solução para diminuir a carga da memória
é juntar as informações recebidas em uma única unidade; esse processo
corresponde ao Chunking. O agrupamento de informações expande a capacidade da
memória de trabalho e, portanto, o quanto podemos pensar. O agrupamento de
informações acontece devido ao grau de conhecimento prévio do sujeito aumento a
sua capacidade de pensar. O agrupamento de informações faz com que aumente o
espaço na memória de trabalho para que esse espaço seja dedicado para outras
tarefas, como reconhecimento de padrões no material.
A lógica confere que, ao agrupar as
informações, outros processos podem ser realizados na memória simultaneamente
assim como ter mais espaço para armazenar outras informações e estabelecer as
devidas associações. Para fazer o chunking é necessário um conhecimento de
fundo.
Terceiro
estágio: o conhecimento ajuda a lembrar de novas informações
É mais fácil fixar um material novo na
memória quando a pessoa já tem algum conhecimento sobre o assunto.
O que acontece nesse processo, é uma rede
rica de associações que fortalecem a memória. Isso pode ser explicitado quando
tentamos lembrar de um tópico não familiar devido a ausência de uma rede de
associações feitas entre o conhecimento existente e o novo material; ao
contrário disso, quando o tópico é familiar e já existe uma rede de
associações, é mais fácil lembrar as novas informações. Isso pode ser descrito
como a incorporação de um novo material à rede de conhecimentos já armazenados,
e pela atividade de associação a rede de conhecimento se liga ao novo material.
Pode-se, assim, resumir que quanto mais conhecimento de fundo o aluno tiver,
mais eles aprenderão um conhecimento novo.
REFERÊNCIAS
WILLINGHAM,
Daniel T. Por que os alunos não gostam da escola? Respostas da ciência
cognitiva para tornar a sala de aula atrativa e efetiva. Porto Alegre: Artmed,
2011.
WILLINGHAM, Daniel T. How
Knowledge Helps: It Speeds and Strengthens Reading Comprehension, Learning and
Thinking. AFT - American Federation of Teachers. Disponível em:
<https://www.aft.org/periodical/american-educator/spring-2006/how-knowledge-helps>
Acessado em: 15 Jun. 2020.
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