PROBLEMATIZANDO


    Os debates contemporâneos entorno da educação evidenciam uma ruptura total do legado da escola tradicional, e o elemento dessa mudança gira entorno dos métodos ativos e das metodologias ativas alegando um olhar para um novo tipo de sujeito/aluno que a escola deve abarcar em função de uma dita “sociedade do conhecimento”. Entretanto, o que se verifica nisso é uma abordagem negativa histórica da escola e da educação reduzindo-as ao direcionamento em satisfazer as necessidades da criança e na construção de um sujeito adaptativo. Dessa forma, o que se verifica de uma Nova Escola pautada em agradar as crianças e rebaixar o capital cultural da humanidade valorizando o imediatismo e da concentração na realidade do educando? 



    Os debates atuais na educação são direcionados às aprendizagens do aluno. A pauta consiste no ideário de como fazer para que as crianças possam sair com algum capital humano das escolas. A resposta consiste em um remédio que será, inevitavelmente, eficaz para curar os problemas de aprendizagem na fase escolar dos alunos; e isso veria através de uma instituição totalmente contrária ao que foi há séculos atrás, a partir de conceitos de uma escola ativa – aprendizagem ativa e metodologias ativas – que fundamenta a dita sociedade do conhecimento. 
    Em primeiro momento, deve-se esclarecer os conceitos e formas subjacentes à aprendizagem. Os conceitos são, em linhas gerais no contexto escolar: modificação estrutural das funções psicológicas; mudança do pensamento; assimilação do conhecimento, mudança estrutural da memória semântica; e aplicação dos conceitos (DÍAZ, 2011; FREITAS, 2016; SEALY, 2019). A partir disso, verifica-se que a aprendizagem acontece por diferentes formas: os grupos dos estímulos (condicionamentos, repetição e observação) e do raciocínio (DÍAZ, 2001). 
    Porém, o que se verifica é uma análise de aprendizagem que focaliza no aluno construir o seu próprio conhecimento e numa aprendizagem espontânea e naturalizante que, desse modo, configura-se aquilo que os progressistas chamam de sujeito ativo. É nesse ponto que começa uma total negação aos conceitos da escola tradicional, pois esse ideário pressupõe que a instrução não é educação (dicotomia entre ensinar e educar), a transmissão do conhecimento é algo passivo, a escola não tem a função de oferecer aos alunos a cultura universal haja vista que pregam o imediatismos e as necessidades espontâneas da criança (DUARTE, 2001). 
    A lógica consiste na negação total dos preceitos da escola tradicional ao passo que se estabelece uma educação ativa (DUARTE, 2001a). Assim, foi criado o lema aprender a aprender, em que tudo é aprendido em qualquer lugar e, portanto, o conhecimento é uma ferramenta adaptativa perante a realidade. Esse lema trás a fundamentação da escola ativa e das metodologias ativas: negação da transmissão de um saber e do ato de ensinar (agrumeta-se uma redefinição do conceito de ensinar) (DUARTE, 2001a). 
    Entretanto, é uma concepção ideológica que tem por função esvaziar a escola, fragmentar a formação do indivíduo e torná-los acríticos sendo que a função da escola é, assim, de criar mentes adaptativas ao meio e não de modifica-la mesmo que digam o contrário; para transformar a realidade é preciso do conhecimentos nas suas formas mais desenvolvidas (o que pregou a teoria da escola tradicional na luta contra a sociedade feudal e na instalação de uma sociedade capitalista na qual vivemos hoje) e objetivas da realidade. 
    A ideia da objetivação da realidade é negada pelo pensamento de que os conhecimentos científicos são secundários ao mesmo tempo que nega a transmissão dos conteúdos escolares colocando como meta principal e mais importante da escola a educação e não a instrução (como se houvesse uma separação – instruir também é educar: a escola tradicional formava uma nova concepção de mundo de uma sociedade burguesa a partir da instrução, eliminado os pensamento dogmáticos, folclóricos e mágicos trazidos da sua realidade por meio do ensino da ciência) (GRAMISCI, 1991). 
    Há, também, uma concepção de que na escola tradicional os alunos eram passivos e não ativos. Esses conceitos são ideológicos da crítica feita pelos escolanovistas e reiterada pelo construtivismo. Esta consiste na dimensão do observável, caso contrário, não é ativo. Os alunos são engajados a resolverem problemas (pedagogia dos problemas), a acharem soluções, a interagirem em grupos (aprendizagem colaborativa) e etc, porém, a aprendizagem é mental (não observável) (HEASE, COSTA, SILVA, 2015). O engajamento ativo do aluno na aula é fundamental, mas apenas se direcionar para um engajamento comportamental e não cognitivo (HEASE, COSTA, SILVA, 2015). Desse modo, toda aprendizagem é ativa por promover atividade mental-cognitiva. 
    Verifica-se, diante de tudo que foi dito, uma abordagem de que o corpo teórico das metodologias ativas ignoram as evidências científicas ao afirmar que a melhor forma de aprender é por meio de problemas, da prática colaborativa, do aprender fazendo (HEASE, COSTA, SILVA, 2015); e uma concepção da manutenção de uma realidade capitalista, pois lida com a desnaturalização da escola em colocar como postulado maior a subjetividade e os “saberes diferentes” que os alunos trazem do seu cotidiano, forçando os alunos a terem uma visão fragmentada da realidade (só veem o que está na sua bolha – visto que essa escola que criticou a escola tradicional de fragmentar os saberes e compartimentalizá-los, o fazem quando não difundem um saber universal) (DUARTE, 2001a). 
    Outro ponto a ser sanado é a ilusão de que vivemos numa sociedade do conhecimento, de grandes transformações e que tudo estará mudando o tempo todo (argumento utilizado pelas pedagogias do aprender a aprender – escolanovismo, construtivismos, pedagogia das competências, professor reflexivo, pedagogia multiculturalista). Essa ideia consiste em uma ilusão posta pelo capitalismo como foco de criar sujeitos polivalente e adaptativo as necessidades do mercado. A sociedade que temos hoje é a mesma sociedade do século XVIII, ou seja, da relação entre capital e trabalho, entretanto, esta sociedade vive, na verdade, uma outra fase (neoliberalismo). A sociedade só será do conhecimento quando a base dela for o próprio conhecimento nas suas formas mais desenvolvidas como prega Saviani e a sua teoria pedagógica histórico-crítica, mas o que se ver é a degradação dos conhecimentos para formar um indivíduo adaptativo as demandas do mercado de trabalho (DUARTE, 2001a), e é isso que prega o lema aprender a aprender. 
    Diante desse parecer, limitado ao objetivo deste trabalho, verifica-se que a tendência da educação é seguir uma percepção ideológica de alimentar a alienação dos indivíduos a partir das pedagogias do aprender a aprender, e as ditas metodologias ativas é o produto das visões alienantes direcionada de cima para baixo. Se o problema dos alunos consiste em não gostarem da escola pela ausência dessa tendência, a verdade é que as crianças não estão aprendendo nada e os exames nacionais e internacionais são exemplos disso. A melhor forma de intervir é a aplicação de uma base científica na educação que possa promover as aprendizagens. E cabe salientar uma coisa: Escola tradicional (não precisa valorizar a transmissão do conhecimento para defender essa escola) não, assim como escola construtivista também não. 

REFERÊNCIAS


DUARTE, N. Vigotski e o “aprender a aprender”:  crítica às apropriações neoliberais e pós-modernas da teoria Vigotskiana. Campinas, SP: Autores associados, 2001a.

GRAMSCI, Antonio. Para a investigação do princípio educativo. In: Os intelectuais e a organização da cultura. 8. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.  p. 129-139.

SEALY, C. (2019). The Best Way to Help Children Remember Things? Not “Memorable Experiences”. EducationNext.

DUARTE, N. As pedagogias do "aprender a aprender" e algumas ilusões da assim chamada sociedade do conhecimento. Rev. Bras. Educ.  no.18 Rio de Janeiro set./dez. 2001.

HAASE, V. G.; COSTAI, A. J.; SILVA, J. B. L. Por que o construtivismo não funciona? Evolução, processamento de informação e aprendizagem escolar. Why constructivism does not work? Evolution, information processing and school achievement. Psicologia em Pesquisa | UFJF | 9(1) | 62-71 | Janeiro-Junho de 2015


FREITAS, S. R. P. C. de. O processo de ensino e aprendizagem: a importância da didática. VII FIPED – Fórum Internacional de Pedagogia, 2016.

DIAZ, F. O processo de aprendizagem e seus transtornos. Salvador: EDUFBA, 2011.

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