A questão das assim chamadas metodologias ativas
Os debates
pseudocientíficos em educação (em sua maioria hoje) liderados pelos
progressistas (ou melhor, as ideias pós-modernas em educação) e pelos
relativistas não poderiam deixar de ser sobre o confronto às ditas metodologias
passivas em favor das ativas e à dita aprendizagem passiva em favor da ativa,
pensamento esse concretizado em outra forma de conceber a educação.
As metodologias ativas
entram em debates quando as mesmas são capazes de promover uma aprendizagem
ativa (slogan dessas metodologias). O argumento que fazem é que o aprender é
procurar, debater, criar conteúdo e não ouvi informações ditadas por alguém – a
transmissão é acuda de ser passiva (MORAN, MOSETTO, BEHRENS, 2000; PROTETTI,
2010). Desse modo, a aprendizagem passiva não apresenta nenhuma positividade
haja vista que os alunos encontram-se em uma posição de pura passividade (GRAMSCI,
1991) característica daquilo que seria o modelo tradicional. Na verdade, esses
são argumento colocados pelas pedagogias do aprender a aprender em que as
mesmas apontam que a transmissão é algo passivo e pode prejudicar o
desenvolvimento do aluno (DUARTE, 2001).
Entretanto, a aprendizagem
real é aquela que gera alguma atividade mental e modificação na memória de
longo prazo, que é, antes de tudo, processada no pensamento, na memória de
trabalho (ver WILLINGHAM, 2011; WILLINGHAM, s/a; HAASE; COSTAI; SILVA, 2015).
Assim, pode-se afirmar que o lócus da aprendizagem se encontra na memória de
trabalho e que qualquer aprendizagem é ativa pelo fato de exigir uma atividade
mental.
Nessa discussão, emergem
metodologias que colocam a criança no centro do processo deixando-a de ser
passiva para ativa; essas metodologias são a Flipped Classroom e o PBL quanto
proposta para uma educação dita inovadora, e meio para atender as dificuldades
e problemas educacionais da educação brasileira em relação às Novas Tecnologias.
Flipped Classroom é um modo
de conceber a organização do trabalho escolar e uma estratégia pedagógica
concebida inovadora (SCHNEIDERS, 2018). A lógica dessa metodologia confere em
romper radicalmente com o modelo organizacional da escola tradicional, modelo
esse tão criticado pelas ideias modistas da educação contemporânea/pós-moderna.
Sendo uma proposta de
combate ao modelo tradicional de ensino, a sala de aula invertida, como o nome
diz, inverte a sala de aula, ou seja, tudo que foi delegado no modelo
tradicional basta fazer ao contrário, de cabeça para baixo, invertida. Desse
modo, é preciso elencar, portanto, as caracteristicas desse novo modelo que são
trazidas por Schneiders (2018): na sala de aula os alunos vão debater, as
atividades são por meio de projetos, simulação, trabalhos em grupos e, como
resultado, os alunos serão ativos.
Além disso, essa nova
metodologia explora outros espaços perante o ideário de que a aprendizagem é o
tempo todo visto que os alunos aprenderem a aprender; esse outro espaço é o
virtual como uma tenência da educação do século XXI e a sua emergência diante
das Novas Novas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (NTDIC) (MORAN,
MASETTO, BEHRENS, 2000; LÉVY, 1998). O objetivo dessa modelo centra-se, desse
modo, a valorizar os melhores recursos presenciais e virtuais (videoconferência,
aulas no Youtube, artigos e textos em enciclopédias online, simulações,
software de realidade aumentada e criação de blogs e fóruns de debate na internet)
para facilitar massivamente a aprendizagem dos estudantes como uma solução para
os problemas de aprendizagem e contextuais da atualidade.
Somado a isso, o aluno é
colocado para aprender o conteúdo nas suas casas a partir das Novas Tecnologias
por meio de videoaulas, pesquisas na internet e de busca de matérias
alternativos, isto é, os estudantes estarão diante de novas formas de se
relacionar com o conteúdo bidireccionalmente, diferentemente do modelo
tradicional. A partir dessa base conceitual, uma outra figura é mudada de
conceito nessa pedagogia, o professor.
Nesse momento, o
professor passa a ser mediador, organizador, animador e colaborado, ou seja,
estabelece uma relação com o estudante de igual para igual (SCHNEIDERS, 2018),
deixando a sua função clássica – a função de ensinar - para ser substituído por
uma função das modas pedagógicas deste século (DUARTE, 1998).
A grande falha nessa
proposta é assumir que os alunos autogerem a sua aprendizagem, que as crianças
são dotadas de habilidades para lidar com as Novas Tecnologias e que, por isso,
são capazes de aprender por meio dela (BULLEN; MORGAN; BELFER; QAYYUM, 2008; KIRSCHNER;
MERRIËNBOER, 2013; KIRSCHNER; BRUYCKERE, 2017). O detalhe é que essas
afirmações e outras não sustentam, por não levar em consideração, que as
crianças brasileiras não são aquilo que Piazzi (2015) aponto como autodidatas.
Elas apresentam grande dificuldade em aprender as coisas por conta própria (conceito
construtivista), necessitando de um instrutor, ou melhor, de instrução no
momento de mergulhar no novo conteúdo.
Além dessas propostas
para solucionar os ditames atuais na educação e, portanto, problemáticos, há a
emersão de uma outra proposta metodológica que vem para somar com o Flipped
Classroom, extraindo elementos da mesma, como a proposta de colocar o aluno
como um sujeito ativo, PBL Entretanto, a análise dessa proposta (não se
restringe a esta, mas também de forma minuciada ao Flipped Classroom) deve ser
feita a partir da análise de Saviani (2012) sobre o caráter pseudocientífico
dos métodos novas/ativos que são concretizados em metodologias como o PBL
(Problem based learning).
Assim, Saviani (2012) traça
uma análise defendendo a tese de que ensino não é pesquisa. O que está em pauta
no ideário das pedagogias do aprender a aprender (construtivismo, escola nova,
pedagogia dos projetos, pedagogias multiculturalistas e teoria do professor
reflexivo) (DUARTE, 2001) é em transformar o ensino no processo de
desenvolvimento da ciência; o ensino passa a ser um processo de pesquisa, isto
é, os assuntos que se referem ao ensino devem ser problemas, assuntos
desconhecidos para o aluno e para o professor.
O ensino toma-se uma
conotação de ser o desenvolvimento de projetos, atividades. Os passos dessa
abordagem ativa são, segundo Saviani (2012): o ensino é uma atividade (1º
passo) que advém determinado problema (2º passo), que suscita no levantamento
de dados (3º passo), levantamento de dados esse
que formularão hipóteses (4º passo) que explicam o problema em questão,
em que os alunos e os professores, em conjunto, vão experimentar (5º passo) permitindo
confirmar ou refutar as hipóteses.
Em síntese: o ensino começa
com uma atividade; nessa atividade apresenta-se problemas/obstáculos; é
necessário resolver esses problemas; nisso entra o levantamento de dados de
diferentes ordens e fontes; assim, será feito o levantamento de hipótese
explicativas do problema; parti para a experimentação. Enquanto a escola
tradicional se preocupava com o produto da ciência, ou seja, transmitir os
conteúdos já confirmados, sistematizados, incorporados e aceitos pela
sociedade, aquilo que já está pronto e bastando a sua assimilação, os métodos
novos/ativos e as suas metodologias, em especial o PBL, valorizam os processos,
os métodos de obtenção do conhecimento (SAVIENI, 2012; DUARTE, 2001).
É nesse ponto que todas
as metodologias ativas se encruzam: a centralidade do ensino passa a ser a
criança, os seus interesses espontâneos, nos aspectos psicológico, na motivação
e no aprender a aprender (SAVIANI, 2012). Elas, então, seriam, para os progressistas
da educação, uma metodologia que os processos são mais importantes do que o
conhecimento, que os interesses dos alunos devem proceder aos do programa e
tantas outras falas nos discursos dos “papas” da educação e as suas “igrejinhas
teóricas” sustentadas pelas pseudopedagogias e/ou pedagorreia (PIAZZI, 2015).
As consequências disso
fez e faz com que não haja diferença entre ensino e pesquisa, dissolvendo e
empobrecendo o ensino ao passo que inviabiliza a pesquisa. A pesquisa, assim, é
artificializada, é uma pesquisa de mentirinha, de faz de conta, portanto,
pseudocientífico (SAVIANI, 2012). A pesquisa é a entrado ao desconhecido e para
tal é necessário partir de algum lugar, e isso é feito através do conhecido,
pois é o conhecido que diz o que ainda é desconhecido e onde a pesquisa se
funda.
Saviani (2012), de forma
direta, explana:
[...] Aí,
parece-me que essa é uma das grandes fraquezas dos métodos novos. Sem o domínio
do conhecido, não é possível incursionar no desconhecido. [...] qualquer
aprendiz de pesquisador passou por isso ou está passando, e qualquer
pesquisador sabe muito bem que ninguém chega a ser pesquisador, a ser
cientista, se ele não domina os conhecimentos já existentes na área em que ele
propõe a ser investigador, a ser cientista [...] (p.47).
A fala acima deixa bem
claro a falta de cientificidade nos métodos novos/ativos quando tornam o
processo de pesquisa algo artificial, jogado e sem critérios de definição
quanto a pesquisa de verdade e a pesquisa de brincadeira, a pesquisa científica
e a pseudopesquisa. Evidenciado isso, a base do pensamento dos progressistas em
educação e as metodologias criadas não conferem cientificidade conferindo na
negação do modelo clássico da educação e de seus métodos; fala-se aqui função
clássica da escola, aquilo que faz sentido existir e, portanto, é a sua
especificidade: a socialização/transmissão do saber elaborado pelo professor e
pela instituição escolar às novas gerações (DUARTE, 2010; SAVIANI, 2015).
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